quarta-feira, 24 de março de 2021

Há em mim um jardim de flores,
meu peito é terra de amor e dores

Há em mim flores silvestres e exóticas,
meu jardim tem só um poste de luz

A noite crescem nas sombras flores
que exalam o aroma da gana da terra

Meu peito é terra de amor e dores,
sou jardineiro dos submundos,
conhecedor das plantas daninhas,
meu coração, vai fundo

A flor que brota da terra,
a terra que com força se expressa
nas formas vivas mais diversas

Ó meu jardim, minha floresta
dentro do peito, o suspiro
ainda me resta

- O jardineiro cultivando
semeando, limpando,
contemplando... -

Todas flores são belas,
mesmo aquelas....


Uriel Cordeiro

29/3/2020

Eu me despi da dor
e das coisas velhas
Eu me desprendi dos passos longos
e das coisas breves
Me despi diante do amor

E eu te vi sair da mata
com a sua lua no olhar
com as mãos cheias de flores
que colheu no caminhar

Envolta de folhas e flores
como fosse parte da floreta
que encanta, mas também
causa horrores... E o que me resta?

Me encanta esse jeito mistério
que a vida carrega no espaço
entre eu e o espelho.

Uriel Cordeiro

5/2/2020

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Todo dia estou sempre poético,
meu jeito até parece eclético,
ouço samba, piano, pagode,
mas comigo, só poesia pode.

Meu verso é o pensar,
uni(r)versos a criar.
Nos cantos dos muros
observar, a semente
que brota devagar.

Todo dia estou assim,
poesia brotando em mim,
feito, na mata, a resistência
de um velho xaxim.

Ser dor e ser sangria,
ser sorriso e euforia,
entre tantos sentimentos,
ser pra sempre poesia.


Uriel Cordeiro


sábado, 26 de outubro de 2019

Meu coração ingênuo
se faz de louco,
ingere sabido o veneno,
depois chora roco.

Chora rápido e pouco
esse coração virado,
por dentro deve estar oco
ou quase que parado.

Esse coração, portal
que nunca se abrira,
derrama agora seu pranto
desmascara o amor e a ira.

Procura o doce sabor
do sentir a velha dor,
de roer o osso podre
que o tempo já levou.

Esse coração ingênuo
feito um grão de feijão
germinando num pequeno
pedaço de algodão.

Uriel Cordeiro

segunda-feira, 15 de abril de 2019

O nome das coisas


Aquilo que é,
que aparece
como a fé
que está.

A palavra em si.
o sentido vem,
antes do aqui
o que mais tem?

Tem as causas
desse agora. Mas,
o nome das coisas,
ora, pode confundir
as bolas

O que se é,
só é por ter sido
o fio, a agulha e a linha,
o tecido, só é tecido
por antes ter sido,
aquilo que o faria
sentido.

Não surge semente do nada,
vem das seivas, da terra,
as forças dessa guinada,
dos ventos, do ar,
do Sol a brilhar.

O que parece ser, dificilmente é,
mil coisas por trás dos nomes
dos atos, dos fatos, dos rostos,
dos olhos, dos gostos, das roupas,
do esboço, da vida, da lida e da ida.

Uma semente conhece seu caminho
tão antes de o trilhar,
vem de dentro do fruto
pressentindo desde as moléculas
o seu se expressar
que vem de uma mãe anciã
que o tempo dá

Uma semente não brota
por acaso, nem do além...
Nem tudo que vai vem.


Uriel Cordeiro





sábado, 6 de abril de 2019

A poesia é um álcool
do qual eu me embriago
meu pensamento é verso
estou sempre dando um trago

Ando bêbado e ninguém vê
poesia falando surdina
dou um gole olhando pra você
na mente o verso buzina

Uma garrafa vazia no coração
foram os versos de um passado
a ânsia de uma poesia na mão
o novo traz mais um engradado

A poesia é o álcool
estou sempre bêbado
tonto em versos
tropeçando em rimas
filosofando num boteco
minhas dores toleimas

Chega a noite e me embriago
olhando para os seus olhos
pude ver o meu estrago
que com um só verso
esmago.


Uriel Cordeiro


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Gosto muito de ver os pássaros,
que passam aos montes voando
formando no céu um triângulo,
indo para um lugar desconhecido.

Da janela passam os pássaros,
passam os carros, as gentes
a vida toda passando,
enquanto da janela
sonho um dia ir embora
com aqueles pássaros.

Que passam
passam
           passam
                       passa
                                paz
                        passa
            passar               
pássaros

Sempre passam os pássaros
que voaram além dos montes,
além dos mares, a frente dos ventos
em todos lugares.

Um dia eu vou voar com os pássaros
para alguma lugar que eu possa,
depois de o mundo todo voar,
finalmente repousar.

Uriel Cordeiro