quinta-feira, 20 de julho de 2017

Das minhas terras


Fica sempre muita saudade
A volta é lenta
como se eu fosse desgrudando
aos poucos de algo grudento

Pra lá que vou voltar
vou voltar pro meu Cerrado
ficou nas terras ácidas
a semente que me levará
ao além

Das minhas terras
onde o mato é seco
a boca racha
na cumeeira da capelinha
dos Pireneus

Rio das Almas brilha
ao longe e meu coração
borbulha feito queda d´água

Nas minhas Terras
minhas raízes se fazem melhor

Mas hoje...
sou planta de região específica
tentando sobreviver fora de sua origem
buscando evoluir para se adaptar em tudo
que é lugar...

Das minhas Terras
veio a melhor parte de mim
a parte que se uniu a mim
trouxe além de mim
em si
de si em mi
de lá
foi o
sol

de cá
foi o


Das Terras minhas
a saudade.
Hoje entendo o significado de raiz.


Uriel Cordeiro




sexta-feira, 7 de julho de 2017

Solte as pétalas no ar
das flores que realizam desejos
bem me quer
mal me quer

Solte as borboletas dos estômago
sopre o vento frio da barriga
Lá vem as nuvens
Coração a milhão

Desliza nas curvas
Lá vem a chuva

Coração na mão
Frente fria

Dê os passos que prometeu
um dia
não desista de soltar
de largar
para ter
de ser para
ser
solto feito
pétalas de um desejo
que soprou nas incertezas
de flores que realizam desejos.



Uriel Cordeiro

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Feliz tristeza
era o que vivia
um tristeza feliz
com a esperança
de viver um dia
uma triste alegria

Sim, estive perto
do meu Fim
agora
estou no início
com a sensação
de estar no Estopim

Mas é de Fim que se faz a vida
essa mesma que é inconclusiva
que começa quando se acaba aquilo que começou
no fim de outra coisa que terminou

Fim, enfim, estamos sempre
prestes ao Final

O Grande Final majestoso
Que soa sempre irônico
tramando por entre-linhas
sempre um novo Começo.


Uriel Cordeiro

Sós no ônibus
todos estamos


O caminho é longo
lento, frio e maldito
Lá fora, só a chuva
e a correnteza nos cantos

Sós no ônibus
desço na última parada
onde a Vida não acaba
onde é o fim da estrada

Nesse ônibus
no último horário
eu volto para casa
Lugar de onde vim
pelo ônibus que peguei na porta

Ó, motorista
pro'nde é que me levará
as correntezas dos cantos
quando descer solitário
no último ponto?


Uriel Cordeiro

domingo, 25 de junho de 2017

A vida é de viver


Todos os instantes
a vida traz de volta
certas coisas que ficaram no Tempo

A vida são ciclos e daquilo que um dia se foi
volta como se nunca tivesse ido
a vida é de viver
e vivendo giram as fases
que ora se repetem
mas nunca iguais

A vida é metamorfose
que gira em torno de um ponto
que brilha pelas forças de uma só luz

A vida é uma caminhada nas montanhas
mas em círculos pequenos
que se alteram ao passo que segue
no Espaço o Tempo que se Vive

Tudo pode voltar a ser como
nunca foi e nunca ser como sempre foi

Por isso, não me surpreende mais
os ''deslizes'' dessa caminhada nas montanhas
que é a vida...
Por isso não me assusta pensar que
um círculo se fecha
enquanto outro se abre

De círculo em círculo
vamos girando no Espaço breve
que é o Tempo que temos aqui nesse instante.

A vida é de viver
e dela sou apenas mais um.


Uriel Cordeiro

Envenenou-me 


Feito um bicho peçonhento
veio o destino nos unir
picou minha pele
e no sangue o veneno passou a fluir

Sob o controle dessa peçonha
transformando tudo em matéria
as curvas eram o perigo
os olhos adormecidos
acreditavam ser de verdade.

Tudo longe, nada perto
tudo perto e ao mesmo
tempo longe.

Envenenou-me e não percebi
essa relação entra e a presa
e o escorpião.

Sujou-me do pior veneno
paralisou-me da forma
mais bestial.

Agora estou envenenado
em quase todas cavidades de mi'Alma
não tem mais predador
agora sou apenas a presa
desesperada tentando se livrar de veneno
que está contido em mim.

Veneno que trocou meus olhos
a forma que vejo as coisas
sujou minha primeira impressão.
Mas ó, confesso que já estava
antes um pouco envenenado,
mas esse predador, estraçalhou
o resto de mim que havia.

(Não é sobre você, escorpião)


Uriel Cordeiro