quarta-feira, 9 de maio de 2018

É bonito de ver a dança da chuva
de baixo dos postes da rua,
parece que cada poste tem sua própria dançarina
que baila nas noites de frio e chuva...

Dançam com o vento
balançam as saias feitas de gotas de chuva,
piscam os olhos como os relâmpagos e
cantam feitos os trovões.

Dança, dança sob o poste da rua fúnebre,
dançam uma valsa 3 por 4
enquanto observo da sacada
a rua fria, a goteira rítmica,
o escorrer das águas.

Presente completo de todas
ocasiões
onde tudo que vale é a nossa
conexão e energia
pois o tempo é unidimensional
e todos os momentos estão em um só presente
que abrange passado, presente e futuro.

Basta ligar-se e crer para ver!


Uriel Cordeiro

sábado, 24 de março de 2018

Um canto pr'um Verso


Minha voz nesses papeis,
eu e o lápis, abajur.
Meu canto vem do inverso
dos ventos que sopram do Sul.

Um canto em meu peito,
onde o verso é desfeito
sopram as mágoas
do abajur, vento forte,
vento Sul...

Nesse encanto que soou
o meu canto falou: num canto
pr'um verso, vento forte, vento sou.

Sou o verso do inverso
do vento que aqui soprou.
O meu manifesto daquilo
que


Uriel Cordeiro, sou.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Estar vivo e reconhecer cada detalhe,
sentir como se fosse a última vez,
cada instante é o que da vida vale,
e será essa minha insensatez.

Eu estive sozinho com medo da morte,
pensando sempre em desdobrar o mundo
e ter a sorte, de viver eternamente como um poste
sem aceitar que o dia volta e a luz se apaga...

Dias a mais ou dias a menos? Viver é perder
ou viver é ganhar? Não passa tudo da ótica
de como a vida pode ser plena ou pode ser

CA

                         Ó

        TI

                                            CA

Estar vivo e reconhecer que a morte
é a eterna companheira e tudo o mais são coisas,
é a melhor das melhores sensações, só assim
para se dar valor a tudo que se tem
mesmo que tudo um dia morra
Graças a morte se tem a vida
graças a vida se tem as Graças.

E viver, por mais difícil que pareça,
ainda é de graça...


Uriel Cordeiro

domingo, 4 de fevereiro de 2018

No interior onde me criei
venho nele me criando
como as florestas, feito as espécies
como a Vida, a teia tece.

No meu Interior, no cerne do Ser,
corre o rio da mi'Alma, conturbado.
Lá no meu interior aprendi:
ser como as águas, sempre em movimento
vezes suja, vezes translucida, ora alta
ora baixa... Mas sempre à caminho do seu próprio Ser.

Vem do Interior as águas que hoje choro
está lá dentro da gente a velha parte
que nos desafia a viver e ser tal como o Mar.

Ó saudades de minhas Terras
as árvores são tortas, tal como é o meu destino.
Vão entortando os galhos da minha Vida,
vem queimada, vem ferida
vou contorcendo, como as árvores do Cerrado
sem desistir, resistindo até a última casca.

No interior encontrei os caminhos
que levam ao Interior do Ser.
Ser o que é, o que sente e pensa.

Enquanto isso, vou como as águas,
como os galhos, sempre em frente
contorcendo, resistindo e vivendo.


Uriel Cordeiro


Nos meus rascunhos eu chorei mais forte,
nesses versos prontos eu pensei demais.
Mas atrás do palco dessa poesia
senti o verso soltar-se de mim ao papel
como se fosse um corte e desesperado
escrevia para parar de cortar minha pele.

Nos rascunhos me despi, despedi,
desprendi de mim o sentimento
prendido, que me vestia a pele.
Troquei a carcaça...

Nos rascunhos você vai me encontrar
nu, desmunido, cru, vivo e sem tabus.

Nem mesmo os bons poemas
são tão poesia quanto os feios rascunhos.
Onde a poesia emerge, o Poeta cresce e a vida
recomeça, e os rascunhos vão se acumulando
na gaveta da esquerda.


Uriel Cordeiro


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

O que vejo quando abro a janela?


Dias fechado, sob a cortina, sem luz,
meu peito em aberto, na escuridão do quarto.
Dias fechado, abro a janela: o que vejo?

Luz derramando-se sobre minhas coisas,
meus pensamentos, Sol!!!

Cegueira branca.

- Voltei.

Vi o Mundo, a cidade toda vindo,
vindo e vindo sobre as pessoas.
A gente se espremendo, sem se tocar
se odiando, precisando se amar

Encaixotando, subindo, elevador
e a dor se elevando.

- Ah, será que fecho a cortina?

- E deixo a cidade crescer sobre mim...?

Despertador nem tocou ainda,
estou estando à frente do Tempo
apressado além da pressa

Abri aquela janela, e fui abduzido por ela,
do quarto pra fora onde mi'Alma cresceu,
agora cresce sobre nós, aquilo que criamos,
que estamos fazendo para nosso ''bem-estar''.


Fechei a janela e fui dormir de novo.
É domingo, chove lá fora.


Uriel Cordeiro


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Desabotoou,
tirou a camisa.
Desabrochou
no canto do jardim
a flor da pele lisa.

Perfumou os novos espaços
com toque suave nas mãos,
o encanto colorido na colcha de lã.

Despetalou-se no verde vento
onde as coisas que ficam na memória
tocam mais forte, vez ou outra, o peito.

E Eu, Eu vou bem
sem ter nada mais para trás
tudo que hoje me faz
está aqui e um pouco mais ali a frente
onde vou projetando meus sonhos.

Despedaçou-se aquele castelo
que construí ontem, há um tempo.
E os Reis, soterrados morreram.

E Eu, Eu vou bem, renascendo
após morrer de desdém, de tédio.
Soterrado.

Desabotoou, a flor desabrochou
e o vento vem soprando, me levando
tal como as flores de um dente-de-leão
que deseja, senão, não desejar nada.

Uriel Cordeiro