No interior onde me criei
venho nele me criando
como as florestas, feito as espécies
como a Vida, a teia tece.
No meu Interior, no cerne do Ser,
corre o rio da mi'Alma, conturbado.
Lá no meu interior aprendi:
ser como as águas, sempre em movimento
vezes suja, vezes translucida, ora alta
ora baixa... Mas sempre à caminho do seu próprio Ser.
Vem do Interior as águas que hoje choro
está lá dentro da gente a velha parte
que nos desafia a viver e ser tal como o Mar.
Ó saudades de minhas Terras
as árvores são tortas, tal como é o meu destino.
Vão entortando os galhos da minha Vida,
vem queimada, vem ferida
vou contorcendo, como as árvores do Cerrado
sem desistir, resistindo até a última casca.
No interior encontrei os caminhos
que levam ao Interior do Ser.
Ser o que é, o que sente e pensa.
Enquanto isso, vou como as águas,
como os galhos, sempre em frente
contorcendo, resistindo e vivendo.
Uriel Cordeiro
domingo, 4 de fevereiro de 2018
Nos meus rascunhos eu chorei mais forte,
nesses versos prontos eu pensei demais.
Mas atrás do palco dessa poesia
senti o verso soltar-se de mim ao papel
como se fosse um corte e desesperado
escrevia para parar de cortar minha pele.
Nos rascunhos me despi, despedi,
desprendi de mim o sentimento
prendido, que me vestia a pele.
Troquei a carcaça...
Nos rascunhos você vai me encontrar
nu, desmunido, cru, vivo e sem tabus.
Nem mesmo os bons poemas
são tão poesia quanto os feios rascunhos.
Onde a poesia emerge, o Poeta cresce e a vida
recomeça, e os rascunhos vão se acumulando
na gaveta da esquerda.
Uriel Cordeiro
nesses versos prontos eu pensei demais.
Mas atrás do palco dessa poesia
senti o verso soltar-se de mim ao papel
como se fosse um corte e desesperado
escrevia para parar de cortar minha pele.
Nos rascunhos me despi, despedi,
desprendi de mim o sentimento
prendido, que me vestia a pele.
Troquei a carcaça...
Nos rascunhos você vai me encontrar
nu, desmunido, cru, vivo e sem tabus.
Nem mesmo os bons poemas
são tão poesia quanto os feios rascunhos.
Onde a poesia emerge, o Poeta cresce e a vida
recomeça, e os rascunhos vão se acumulando
na gaveta da esquerda.
Uriel Cordeiro
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
O que vejo quando abro a janela?
Dias fechado, sob a cortina, sem luz,
meu peito em aberto, na escuridão do quarto.
Dias fechado, abro a janela: o que vejo?
Luz derramando-se sobre minhas coisas,
meus pensamentos, Sol!!!
Cegueira branca.
- Voltei.
Vi o Mundo, a cidade toda vindo,
vindo e vindo sobre as pessoas.
A gente se espremendo, sem se tocar
se odiando, precisando se amar
Encaixotando, subindo, elevador
e a dor se elevando.
- Ah, será que fecho a cortina?
- E deixo a cidade crescer sobre mim...?
Despertador nem tocou ainda,
estou estando à frente do Tempo
apressado além da pressa
Abri aquela janela, e fui abduzido por ela,
do quarto pra fora onde mi'Alma cresceu,
agora cresce sobre nós, aquilo que criamos,
que estamos fazendo para nosso ''bem-estar''.
Fechei a janela e fui dormir de novo.
É domingo, chove lá fora.
Uriel Cordeiro
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Desabotoou,
tirou a camisa.
Desabrochou
no canto do jardim
a flor da pele lisa.
Perfumou os novos espaços
com toque suave nas mãos,
o encanto colorido na colcha de lã.
Despetalou-se no verde vento
onde as coisas que ficam na memória
tocam mais forte, vez ou outra, o peito.
E Eu, Eu vou bem
sem ter nada mais para trás
tudo que hoje me faz
está aqui e um pouco mais ali a frente
onde vou projetando meus sonhos.
Despedaçou-se aquele castelo
que construí ontem, há um tempo.
E os Reis, soterrados morreram.
E Eu, Eu vou bem, renascendo
após morrer de desdém, de tédio.
Soterrado.
Desabotoou, a flor desabrochou
e o vento vem soprando, me levando
tal como as flores de um dente-de-leão
que deseja, senão, não desejar nada.
Uriel Cordeiro
tirou a camisa.
Desabrochou
no canto do jardim
a flor da pele lisa.
Perfumou os novos espaços
com toque suave nas mãos,
o encanto colorido na colcha de lã.
Despetalou-se no verde vento
onde as coisas que ficam na memória
tocam mais forte, vez ou outra, o peito.
E Eu, Eu vou bem
sem ter nada mais para trás
tudo que hoje me faz
está aqui e um pouco mais ali a frente
onde vou projetando meus sonhos.
Despedaçou-se aquele castelo
que construí ontem, há um tempo.
E os Reis, soterrados morreram.
E Eu, Eu vou bem, renascendo
após morrer de desdém, de tédio.
Soterrado.
Desabotoou, a flor desabrochou
e o vento vem soprando, me levando
tal como as flores de um dente-de-leão
que deseja, senão, não desejar nada.
Uriel Cordeiro
terça-feira, 24 de outubro de 2017
Onde é que certas coisas começam?
Parei para pensar: certas coisas
começam onde, afinal?
É, tem coisas que começam no começo
e só nos damos conta lá longe da jornada.
Nó que se faz fica para trás
e pra evoluir é preciso retroceder
desatar as amarras de outrora
a Alma de fora perceber.
Ah, a infância tão doce
quanto as frutas do pomar
Em meio as árvores
um jardim de solo fértil
a pensar, na sombra das
Árvores tudo podia imaginar.
Onde fizeram-se os nós
que hoje amarram a Alma
a uma resposta de um instante
que fez a cabeça pensante em looping entrar.
É preciso de fora olhar
sentir, se entregar, resistir
pois hora ou outra o nó
encontra-se submerso
em um oceano de lágrimas,
mergulhar fundo será preciso.
Onde começam certas coisas que empurramos
pela vida toda, sem saber como lidar?
Que forças podem ter o pensamento
sobre o destino?
Venho embolado nessas questões
sem saber como lidar, a resposta
está fundo, parece que além de mim.
Há mais além de mim no que me diz respeito.
Vem de onde vim, de ondem vieram
e de onde viemos e para o que viemos....?
Uriel C'onfuso
quarta-feira, 18 de outubro de 2017
Ah, tem sido irônica a Vida
Se confundindo com a morte
nas trilhas da cidade estreita,
sem nunca contar com a sorte
os olhos sem entender espreita.
Quanta ironia pode ter o destino,
sofrendo as intempéries do acaso,
no correr dos dias, meus sentidos refino
sobre o perceber da existência de um grande Laço.
Tal laço, soa irônico, feito o Fim
que se recomeça no instante exato
em que se cerrou, onde a Vida
vai ao final de sua forma
e se transforma...
Onde acabar é começar
e vice-versa.
Ah, mas tem sido irônica a Vida
e dela sigo rindo pelas ruas
notando em minhas ironias e contradições
um pouco do Mundo que vivo
e um pouco do Mundo de onde vim
Deve ser assim, essa coisa de não entender
por saber que não terá um Fim.
Há acaso no destino?
Uriel Cordeiro
sábado, 7 de outubro de 2017
Da porta do meu quarto
Vi todas as coisas minhas
que faziam o formato
de mi'Alma
que se enrolou entrelinhas
Vi o Céu da janela fechada
o armário aberto, as roupas
saindo de dentro dele
o violão tocando
a poesia sendo escrita
Os números
matéria
estudos
Vi tudo que eu fazia acontecendo
enquanto da porta do quarto Eu via tudo parado
E minhas coisas sozinhas se faziam diante de mim..
Eu na porta, prestes a sair, me vi, sem enxergar
vi minha Vida de mim se livrar, por um instante
tudo leve.
Fechei a porta e me deixei no quarto
sem me deixar além da saída
Nessas, vou sem saber
onde estou afinal...?
Onde me levará essa lida?
Uriel Cordeiro
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