domingo, 14 de outubro de 2018

Há sentimentos enterrados,
como sementes de um inço
que invade todo o cultivado
e Eu em meio a tudo isso...

Sentimentos enterrados
nas entranhas do viver
que nascem assustados
sem eu nem perceber.

É um solo fértil que há,
são terras cultivadas
por índios e lobos,
coivaras do meu peito.

Nascem sementes e sementes
nasce o inço, nascem os viveres.
Nasce até o passado
como se sempre tivesse ali
guardado, ruderal.

Há sempre sementes no solo
Como sempre haverá chuvas
Sempre haverá Sol
Haverá sempre Sentimentos.

Uriel Cordeiro





quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Um dia dormi com a poesia
e acordei poeta,
Como acordar dentro de uma onda
depois de ter sido mar

É a criação que vem primeiro
nesse espantoso jardim,
onde cresce no canteiro
a poesia sem fim

Um dia plantei rabanetes
e acordei agricultor,
sentado em um cavalete
vi mais de perto quem eu sou

Como uma árvore que chegou
na parte mais alta da floresta
e se enxergou somente
quando viu tudo o que resta

É de tudo que se faz a Alma,
uma rede que sustenta o Eu,
do caos natural à calma
não há nada que seja só meu.


Uriel Cordeiro

domingo, 2 de setembro de 2018

Mistérios do amor


Flores que caem sem ser vistas,
vôos invisíveis, sentir e sentir.
Corredeiras de rio, coração desliza
nas ideias mais lindas do existir.

O amor é um grande mistério
como voar pela primeira vez,
como sair em busca de mel,
como achar um lugar ao sol.

Um impulso natural que move,
move os músculos, os passos,
move montanhas, move o laço
move tudo que aqui faço.

Mistérios do amor, correm os rios,
crescem as mudas, surgem as flores
nascem e emergem sentimentos
que renasceram das dores.

Setembro traz a primavera,
chove lá fora agora
será que nascerá a flor
que o inverno me deu para plantar?


Uriel Cordeiro


quinta-feira, 23 de agosto de 2018

É engraçado
como pode ser
tão intenso
e desgraçado

Um sentimento
amedrontado
que no interromper
da fala, acaba por ser
atropelado, e fica ali
sem ter sido expresado
nem ter sido tocado

E ficam dois ali
sem se sentirem
sem se tocarem
querendo só falar
só dizer sem pensar
o sentimento sem base
sentimento guardado
com medo de ser rejeitado

É engraçado como isso
atrasa a alegria de uma vida.


Uriel Cordeiro

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Cada um é um detalhe
que se expressa na pele
o retrato de uma alma
que aparece nos olhos

que brilham quando
aparece o homem
sorrindo, penteado
belo

Cada curva eu vejo algo
algo novo que brilhou
no reflexo do retrovisor
um momento único
se espelhou diante
da minha visão
a vida aconteceu

um detalhe de mim
sou eu.

A flor deitada no piso
voou do ipê lá da rua
deitaram no meu caminho
flores rosas semi nuas

Cada detalhe uma vida
cada vida um universo
e por ai vai, como num
verso infinito
de rimas mirabolantes

é esse o viver
é essa a vida
é assim que acabei de ver.

Quem sou eu quem sou você?


Uriel Cordeiro

quinta-feira, 21 de junho de 2018

A noite diz sempre mais
acordado, madrugada
os ponteiros já se perderam

lá fora as Almas correm
em busca de se manifestarem
em algum mundo real

a  noite diz sempre mais
que a própria escuridão

cai o véu de estrelas
no céu, mil coisas acontecem
na Terra nessa exatidão

Os ponteiros se perderam
no tic-tac do novo mundo
que surge quando chega a noite

vai embora o dia
a noite toma em mim
um lugar só seu em meu peito
onde o mundo é desfeito e
nada corre como deveria
nessa noite que é só minha...

Uriel Cordeiro
Minha poesia é o meu mar
trasborda da mão esquerda
inunda meu continente
a terra não é mais firme

o sol vai se apagando
aos poucos
Poeta se afogando
na própria imensidão

Minha poesia é o meu rio
que corre nas veias da inspiração
o sangue vivo de Vida
onde mergulho em busca de mais
me perco, me encontro
como num mergulho nas águas
do Rio das Almas

Poeta carrega sempre
um grande rio dentro de si
onde se joga, mergulha
afoga, renasce e segue.

Entre o continente
e o mar, corre o rio,
rio que liga a terra
com a água...

Corredeiras do meu peito.


Uriel Cordeiro